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O Silêncio da Existência

 O Silêncio da Existência

Dentro de mim, o deserto.
Sinto o vazio pulsando,
a pele do silêncio estendida,
viva, sem palavras.
Eu sou a ausência
de qualquer forma que me defina.
Sou uma mulher. Sou a sombra
que observa o corpo sendo.
A matéria que respiro
é feita de uma pergunta,
que se dissolve,
nunca respondida.
O mundo grita na sua mudez,
mas o grito é meu.
Uma fome do que não sei,
um gosto que não provei.
E ao tocar o desconhecido,
minhas mãos se desfazem,
como pó sobre o mármore do tempo.
Eu sou o que não entendo.
É no confronto com o nada
que descubro —
existo.

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