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LIBERDADE E MORAL NA FILOSOFIA DE KANT. (PARTE 2)

LIBERDADE E MORAL NA FILOSOFIA DE KANT. (PARTE 2) 3) A Boa Vontade. 3.3) Agir bem = agir desinteressadamente. 3.4) O Agir moral, uma questão universalidade. 4) A concepção existencialista sobre liberdade. 5) Visão crítica: a liberdade não existe.



3) A Boa Vontade.




3.3) Agir bem = agir desinteressadamente.




A reflexão moral cuida da melhor maneira de se viver. Os gregos refletiam a melhor maneira de viver pelo cosmos, os cristãos por Deus, e o homem moderno, reflete por si mesmo, mas o que tem esse último, de tão especial, que justificaria utilizar, a si mesmo, como critério para a vida boa, podendo assim encarar o cosmos e Deus, justificando, em si mesmo, o próprio fundamento de sua moral? A resposta cuidará justamente de uma necessidade humana de se transcender, indo além de sua própria natureza animalesca.

Nesse contexto o homem é apresentado como livre, sendo esta liberdade o fundamento de sua moral moderna, de sua própria reflexão sobre a melhor maneira de viver, que o diferencia de qualquer outro ser. Por outro o animal lado irracional não tem moral, não a tem por que ele não é tido como livre, assim, de que adianta a reflexão sobre a melhor maneira de viver se não existe liberdade para deliberar sobre sua vida, se viver for como uma maçã, por exemplo, que cai onde tem que declinar-se? Exatamente porque, no caso do homem, a vida pode ser diferente do que ela é que faz sentido pensar-se como viver melhor, por outro lado, se a vida humana fosse, igual a de um animal irracional, só como ela poderia ser, daí não haveria a reflexão sobre a moral, justamente porque é ela que trata do esforço deliberativo de escolha da própria trajetória.

A moral de Kant é desinteressada, normal, porque agora, como é o homem que deve decidir sobre o certo e o errado, terá, necessariamente, de considerar o outro, e, para fazê-lo, precisa ir além de si próprio. Assim a moral pressupõe abrir mão do próprio apetite em nome do alheio, quando assim a razão considerar adequado, moralmente certo e justo. No final das contas a moral desinteressada é aquela que humanizaria o homem, o apartaria e o diferenciaria da animalidade, porque toda vez que ele age 100% regido pelas próprias vísceras, claro, se distancia muito pouco de um animal irracional.

Essa ideia do desinteresse é inseparável da própria ideia de amor. Moral não é amor, esse é sentimento, já aquela é razão, intelecção, reflexão sobre a vida. Ocorre que, no final das contas, existe moral toda vez que pensamos a melhor maneira de imitar o que faríamos se amássemos. Assim, perceba, a ideia de desinteresse, em Kant, é muito inspirada na do amor cristão. Para entender esse pensamento é interessante, para fins didáticos, fazer uma analogia com atitudes de uma criança, entendendo que Deus é contrário a elas, explico. A criança, como diz o professor Sponville, ocupa todos os espaços, ela é gana de ser, avança como imperialista, já Deus, esse se retira, ele ama no recuo, para que alguém possa aparecer ele se retira, trata do amor ágape de Deus, esse que se sente ou não se sente, quando não sente seria bom senti-lo, mas como não calha a moral está ali para substituí-lo. Assim a humanidade pode não se amar, mas, ainda sim, levaria o outro em consideração, e seria respeitosa entre si, não precisa estar presente o amor para o homem ser dadivoso e generoso, mas age de tal maneira por moral kantiana desinteressada, por apreço pelo outro que lhe obriga ir além das inclinações de seu próprio eu, esse que talvez esteja cansado, com fome. Essa atitude Kant chama de amor prático, aquele atitude que está no lugar do amor. Nesse contexto só o homem consegue ser desinteressado, ainda que nada na natureza aja desinteressadamente, porque ele precisa, como diz Rousseau, transcender sua própria natureza, essa que não dá conta de sua própria vida, daí ser preciso ir além dela para poder viver.

O desinteresse é o primeiro ponto e característica da moral kantiana, inseparável da ideia de moralidade. Trata do resultado de uma deliberação da razão, na contramão da nossa própria natureza egoísta e interessada.

É importante deixar claro aqui que a ideia do desinteresse está vinculada com o que é pensado de mais próximo do senso comum que se possa imaginar, por exemplo, um chefe que concede carona à sua estagiária, alguma pessoa pode analisar essa situação e tirar a conclusão de que o ele só concedeu carona porque tinha escopo de cópula futura, e tal suposto interesse apequenou a moral de sua conduta. No fundo se perceberá que a conduta será tão moralmente apreciável quanto menos aparentemente interessada ela for, é isso que Kant está dizendo e faz parte de nosso dia-a-dia. A conduta humana valorizada diz respeito a certa da atitude da pessoa onde ela não tinha nada a ganhar agindo de tal maneira. Perceba toda vez que agimos de maneira aparentemente desinteressada é porque, de certa forma, agimos de forma virtuosa.

Nesse ponto é prudente conhecer dois conceitos:
- Desejo: trata do que o corpo pede.
-Vontade: trata do que a razão delibera.
Desinteresse é exatamente o momento em que essa distância se materializa, ganha corpo, assim o desejo aponta para direita, mas a vontade delibera para esquerda, porque a razão não é escravizada pelos próprios apetites. Daí é que a vontade reluz, porque ela fala ainda quando a natureza se cala, normal, porque, nesse raciocínio, a natureza humana é pobre, e seus desejos são pequenos, mesquinhos e não dão conta de suas vidas, por isso precisa-se ir além, e nada impede que a vontade possa ir à contramão dos desejos, transcendendo-os, e assim o homem age desinteressadamente, condição essa de levar o outro em consideração.


3.4) O Agir moral, uma questão universalidade.


Agir moralmente não é fácil nem evidente. Em outras palavras a moral é objeto que se aprende, treina, ensina, educa, e, portanto, tem a ver com o dever. Perceba, a moral para um grego é fazer o que o talento manda, trata de desabrochar a própria natureza, já a moral moderna de Kant é rigorosamente o contrário, trata de lutar contra a própria natureza egoísta, deliberar contra os apetites e inclinações, destacar-se da própria natureza desejante e enfrentá-la, nesse sentido a moral é uma questão de dever. Pensamento moderno clássico, o que se espera da escola é que ensine a criança a recuar, pois ela ocupa todos os espaços, se não fizer nada vai avançar, portanto, claro, o papel da escola é anti-natureza, de recuo, até porque, como agora, a forma correta de viver deve ser decidida pelo homem, é preciso definir até onde um chega e o outro pode avançar. Quem vai ensinar tais limites será a vida na civilização com todas as suas instituições. Assim a escola moderna é um espaço de educação para que a criança vá aprendendo aos poucos a controlar sua própria natureza, trata-se de um espaço de moralização por excelência. Da mesma forma a civilização toda de um modo geral, essa que faz um papel de educação moral importante, exatamente porque ensina a respeito dos apetites imperialistas aos homens para que segurem a onda, fiquem no seu quadrado, se coloquem no seu território e não avancem no lugar dos outros.

Sendo assim a moral é uma questão de dever, não é algo que se extrai da natureza humana, como por exemplo, a excitação ou uma manifestação do corpo qualquer, mas exige sacrifício, educação, treinamento e deliberação, contra, justamente, as inclinações apetitosas, é por isso que toda moral kantiana se estrutura em torno de imperativos, que é a maneira como esse dever vai se tornar concreto, imperativos.

Justamente porque ser livre é poder controlar a própria natureza egoísta que o homem deve se submeter a imperativos categóricos, definidos pela razão, e esses imperativos são a prova maiúscula de sua própria liberdade em relação aos próprios desejos.

Então, em Kant, liberdade não é poder fazer o que quiser? Veja, se liberdade é a possibilidade de fazer o que se quer fazer, então: ANTES mesmo de haver liberdade é preciso querer fazer, se é preciso querer fazer antes de ser livre, logo, não se pode ser livre para querer fazer. Explicando: para o homem ser livre, antes mesmo de haver tal liberdade, é preciso, primeiramente, calhar que lhe tenha ocorrido ou não certa vontade, daí temos um problema: como a liberdade surge no momento posterior da existência ou não de uma vontade primária, o homem nunca poderá contar com essa mesma liberdade para que certa vontade lhe arrebate ou não. Assim, se a liberdade é de fazer o que se quiser, ela não pode ser a liberdade de se querer o que quiser, por exemplo, todos são livres para votar em quem quiser, mas quem disse que todos são livres para querer votar ou não?

Nesse raciocínio o homem é escravo de suas paixões, até mesmo aquele, cansado de sua vida em labor, que resolve tomar seu veículo conversível em uma viagem para Búzios, de livre que julga ser, não passa de um tolo regido pelas vísceras, o perfeito escravo próximo da animalidade, uma girafa não faria diferente se soubesse dirigir.

Isso porque justamente, para Kant, a liberdade é a possibilidade que o homem tem, e só ele tem, de fazer o que não quer, afinal fazer o que quer não é ser livre, mas ser escravo.

Na filosofia de Kant encontramos três tipos de imperativos:
- Imperativos hipotéticos: São imperativos de terceira classe. Um imperativo é o fato de ter que se fazer alguma coisa. Esses se chamam hipotéticos, pois estipulam que na hipótese de se querer fazer alguma coisa, então se deve fazê-la! Tal imperativo condiciona a escravidão, coloca o homem próximo de sua animalidade.
- Imperativos de prudência: Esses imperativos funcionam como os imperativos hipotéticos, com a diferença de que são compartilhados por mais gente, no final das contas vai cuidar da alegria do maior número. Tais imperativos nos colocam no centro do senso comum da Polis na Grécia antiga, são aqueles objetos que quase todo mundo deseja, saúde, educação e etc.
- Imperativos categóricos: Os mais importantes. Nesses imperativos não se têm relevância o que se deseja ou não. Cuida aqui da possibilidade que um indivíduo possui, onde ele agirá de tal maneira que, qualquer outro indivíduo, na mesma situação que a sua, possa fazer o mesmo que ele fez. Nesses imperativos o homem só pode ser livre aceitando a possibilidade de se submeter a certos imperativos, pela razão, independentemente do que deseja ou não. A liberdade ainda existe, afinal é o próprio homem que vai deliberar se submeter a este imperativo ou não.

Perceba que o grande traço da moral kantiana, além do desinteresse, é a universalidade, em outras palavras, nada menos kantiano do que a ideia de haver privilégio para alguns poucos homens, como, exemplificando, a conduta daqueles sujeitos que falam: você não sabe quem eu sou?, tal afirmação é tipicamente grega e aristocrática, contrária ao kantismo, inerente de uma situação onde alguns fulanos são encarados como superiores a outros, e assim, existiriam certos direitos para eles que as pessoas ordinárias não usufruem. Desde a parábola dos talentos esse pensamento caiu por terra, daí, nesse outro contexto, só se pode fazer aquilo que puder ser feito por qualquer um.

Então como se deve agir? De tal maneira que se possa esperar que qualquer outro, no mesmo lugar, faça o mesmo que tu fizeres. Por exemplo, na reflexão sobre se podemos agredir alguém ou não, devemos imaginar se gostaríamos que, todo mundo, a todo o momento, nos agredisse também. Em outras palavras, não faça nada que não queira que façam contigo, e, sobretudo, mais positivamente, afinal a doutrina de Jesus Cristo foi muito pessimista nesse ponto, em Kant, podemos pensar: Faça toda ação que tu gostarias que qualquer outro fizesse para ti, independentemente de fazerem-na ou não, pois, em Kant, deve-se agir desinteressadamente, razão pela qual, se o outro não a realiza esse é um problema dele, cada um faz a sua parte.



4) A concepção existencialista sobre liberdade.



As ideias de Kant tiveram conseqüências para o futuro. No existencialismo, especificamente em Sartre, em sua obra O Existencialismo é um humanismo, encontramos a seguinte frase:

A Existência precede a essência.

O existencialismo trata de uma corrente de pensamento que está por trás de todo movimento social surgido depois da segunda guerra mundial, por exemplo, Woodstock, Maio de 1968, libertação da Argélia e etc. O líder do movimento estudantil do movimento de Maio de 1968 tinha um slogan, É proibido proibir, nada melhor para uma exposição sobre liberdade.

A existência é a vida, é o ser humano e o resto, em relação a tudo o que acontece com ele, os encontros, alegrias, afetos, transformações, nascimento, morte e etc.

Imagine uma tesoura, ela existe, e, na sua existência, corta papéis, não se trata de um objeto genérico, mas concreto, assim ela tem existência cortando papeis. Ocorre que, antes dessa tesoura cortar papéis, ela foi fabricada e projetada, portanto alguém pensou, idealizou que um instrumento com aquelas características, daquele jeito, cortaria facilmente papéis, assim primeiro existiu o plano da tesoura que veio antes dela, e, depois dele, alguém fabricou a tesoura, daí sim tal objeto passou a cortar no mundo. Perceba, no caso da tesoura, primeiro ocorreu a ideia, essência de tesoura, depois veio a existência do objeto que corta no mundo, assim, a ideia vem antes de sua matéria, conforme ela foi idealizada antes, a essência precede sua existência. No caso do gato também, porque ele primeiro, antes de qualquer coisa, é felino, nasce e tem vida de gato, e daí vive como tal, perceba, inicialmente surge a essência e instinto de gato, depois é que existe sua vida, esta, nada mais é, do que uma previsível atualização da sua essência de gato, assim, no caso deste felino, primeiro vem sua essência, depois a existência.

Já no caso do homem, contrariamente ao gato ou a tesoura, nasce zerado, ou seja, não tem plano, instinto e ideias humanas anteriores à sua atuação de existir no mundo, assim, primeiro lhe surge uma vida sem essência, depois, existindo, lhe sobrevém a idéia do que se é, ou seja, primeiro o homem vai viver, e, em um momento posterior, descobrir quem é. Daí, podemos dizer, não existe homem pré-fabricado, tal produção se dá na atuação de viver, em seu caso, a existência vem antes da essência, trata-se de um subproduto da vivência no mundo, só será vivendo que se descobre, aos poucos, quem se é.

Por isso a obra mais importante de Sartre denomina-se O ser e o nada. Quem é o Ser? O gato, a porta, a tesoura. Quem é o nada? O homem, que, partindo dessa condição, seu ser se forja na vida, não há essência antes da vida e da existência. E o que tem por trás da existência humana? Nada, porque o homem só tem sua vida para lhe dizer quem é, nasce sem guia de instrução. Portanto, não tendo natureza humana que lhe escravize, surge lhe a face 360 graus de possibilidades abertas de existências potenciais, por isso o homem desfruta de liberdade, não tem que pagar pedágio para natureza humana alguma, inversamente ao gato e à tesoura que não podem mudar sua natureza.

O homem não é nada, a vantagem é que, não sendo nada, pode tornar-se tudo, a desvantagem é que, diferentemente do gato, não tem a sua vida pronta, definida por sua essência, daí resta-lhe pelejar sua vida a cada segundo, sem muito saber o que fazer, e como conseqüência a angústia decorre dessa incerteza.

Para diminuir essa forte aflição que é a sua angústia, o homem acaba negando sua condição de nada, daí acaba se togando de uma natureza, definição ou plano, e acaba dizendo que foi nascido, projetado para ser alguma coisa, como a tesoura que foi projetada para cortar. O homem delibera isso para não ter muito problema na vida, afinal, a partir do instante em que lhe cobre certa natureza, ele, que antes nada era, passa a ser alguma coisa, daí vai elaborar toda sua vida em função desta sua roupagem, as escolhas e dilemas existenciais reduziram, e daí em diante tudo que ocorrer será calculado em função dessa referência. Esse que Rousseau chamava de o idiota, trata daquele indivíduo que se leva a sério, que se denomina alguma coisa, pobre desgraçado! Na incapacidade de ser livre foi afunilando a vida, e daí, quanto mais densa a definição de si, mais amarrada sua vida, para que não lhe surja dúvida de como viver, nunca foi digno de transcender sua natureza. Rousseau o chama de idiota porque esse é o indivíduo que abriu mão de sua única vantagem em relação aos animais e aos objetos: ser livre a cada segundo.

Se o homem não é nada, porque tem que pagar pedágio de uma natureza própria? Pagar pedágio para, por exemplo, certas categorias sociais que lhe escravizam? Afinal, se ele não é nada, e jamais o será, então poderia reinventar sua vida a cada segundo, e assim desfrutar de liberdade plena até o último dia quando constatar o nada que lhe acompanhou a vida inteira, esse mesmo nada que lhe permite tudo ser, tudo fazer, por não ter que pagar tributo a nenhuma natureza escravizante, nem de branco ou negro, pobre ou rico, homem ou mulher, judeu ou turco, sendo tais concepções as algemas que os próprios homens se colocam por não aceitar, tolerar a liberdade que é a sina humana, condenados a serem livres, não sabem, de jeito nenhum, o que fazer da vida, e, para reduzir sua angustia, deliberam se entulhar de definições de si.

Um homem que se denomina advogado, fala, se veste, compra livros como tal, o idiota de Rousseau e a má-fé no existencialismo, nega sua condição inicial de nada e assume-se como sendo alguma coisa, vira as costas para a liberdade que o fundamenta. Por seu medo de viver livremente, esconde-se da responsabilidade que lhe acompanhará sempre, inerente a toda responsabilidade de escolha da vida que tem que viver, avestruzes que, ridiculamente, se escondem da condição de livre, algemando-se em definições que o apequenam, o territorializam, lamentáveis que são, má-fé.



5) Visão crítica: a liberdade não existe.



Claro que nem todo mundo concorda com esse pensamento. Platão, Pico Della Mirandolla, Kant, Sartre e Rousseau, disseram todos eles a mesma coisa: no mundo, tudo é só como poderia ser, mas, no caso do homem não funciona assim, afinal ele é livre, a liberdade é o seu fundamento, não existindo natureza alguma que o escravize, a vida é a sua obra e sua única definição, mas haverá quem não concorde.  

Trataremos agora daqueles pensadores que dizem que o homem só tem corpo e não é possuidor de alma soberana para ser livre, aqui a abordagem humana é encarada da mesma forma como de qualquer outro animal irracional, tudo aquilo que é considerado enquanto liberdade, não passa de ignorância de certas causas materiais, sendo assim, só lhe resta ser como a única forma possível de se viver.

Esses autores, ditos materialistas, colocarão o homem, no mundo da vida, sem nenhuma possibilidade de transcendência em relação à sua natureza, do mesmo jeito que ele só sente o que sente, porque só poderia sentir, seu pensamento nada mais é que o resultado de uma disposição corporal, cientificamente explicável pela teoria da evolução, que o torna mais competitivo na disputa entre as espécies, nesse raciocínio tudo só é como poderia ser, daí, por não conhecer as causas materiais dos fenômenos, a liberdade é o sintoma de sua própria ignorância. Aqui o homem é escravo das causas materiais que determinam a sua vida, da mesma forma que uma fruta, um animal irracional, o vento, a maré e etc., tudo estaria inscrito em uma rede de causas em relação às quais nada transcende, a não ser como delírio, pretensão, busca religiosa ou metafísica em compensação aos fracassos terrenos. A liberdade não passaria de um delírio, um sonho ou uma projeção do que gostaríamos de ser, sobretudo quando entristecemos no mundo da vida onde tudo é só como poderia ser. Essa reflexão é típica de filósofos como Nietzsche, Marx, Spinoza entre outros.

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