A FILOSOFIA DE
SPINOZA E A REFLEXÃO SOBRE OS AFETOS – parte 2 – 3) Viver enquanto relação e transformação com o mundo. 4) O conhecimento enquanto
Afetos com o mundo. 5) Afetos, solidão, esforço e alegria.
3) Viver enquanto relação e transformação com o mundo.
Spinoza conta que a nossa existência, a nossa vida, tem como
matéria prima, unidade constitutiva fundamental, não exatamente nós mesmos, mas
o conjunto de relações que mantemos como o mundo, assim viver é
relacionar-se com o mundo.
Quando perguntamos “está
tudo bem?”, a dúvida, de fato, se trata de como tem sido as relações de
certo sujeito com o mundo.
A vida é marcada por relações, os franceses a chamam
de rapport, nessa idéia não é o “eu
sou” que vive, mas, havendo vida necessariamente ocorrerão relações
entre várias partes que constituem um todo, e a vida individual é, justamente,
o conjunto de algumas dessas relações, onde a parte que nos toca, corpo e alma, se
relaciona com outras partes, constituindo assim o todo.
Concluindo: viver é relacionar-se, em outras palavras, não
há como não se relacionar, pois, cada um, sendo parte, e o que lhe define como
tal é a relação com outra parte na constituição do todo, não importa para onde se
vá, haverá mundo e partes dele com as quais cada indivíduo se relacionará,
assim, a boa vida é aquela que relaciona-se bem com o mundo.
A perspectiva de Spinoza entenderia a teoria da auto-ajuda
com um olhar estranho, porque ela diz que quando se quer algo isto acontece, o
problema é que nessa idéia de relação existem pelo menos duas partes, e elas
precisam se harmonizar, daí essa unidade constitutiva da vida enquanto relação
obriga a invadir a própria idéia de relação.
Spinoza explica que, p. ex., quando um homem entra em
relação com uma mulher, e, ao longo dessa relação, ele transforma ela e vice-versa,
conseqüentemente ambos vão deixar de ser o que eram para ser, serão novos, tudo
isso em função desta relação. Corpos em relação determinam no outro corpo uma
passagem, transformação, produzem efeitos sobre ele. Assim relacionar-se é
afetar e ser afetado, transformar e ser transformado, modificar e ser
modificado. Então naturalmente que a nossa vida acaba se deixando traduzir por
essa mecânica curiosa.
O que é viver? É mudar o mundo e ser mudado por ele.
Assim se existimos no mundo, isso quer dizer que o transformamos
ininterruptamente, o mundo não é se não formos, estamos transformando o mundo a
todo o momento. No exemplo do educador que entra na sala para ensinar seus
alunos, essa sua ação os faz dizerem coisas que antes não sabiam, e, pensando diferentemente,
conversarão com outras pessoas, o fluxo dos efeitos se perenizará.
Mesmo que alguém esteja em uma praia deserta, sozinho, o
vento não vai passar direto, pois terá que dar a volta sobre quem estiver ali.
Mesmo sem ter nada o que dizer, sem ter uma existência que
todos reputam excelente, basta viver para transformar, ou se preferir, impactamos
inexoravelmente, para não impactar é preciso não ser, pois quem é, impacta.
É claro que aquilo que produzimos no mundo nos escapa quase
que completamente, o que outros estarão sentindo, aqui agora, afetados por nós,
escapa-nos, quase que completamente, e quando não escapará? No final das contas
só temos uma idéia do que produzimos sobre outros quando alguém falar conosco,
e, sentirmos aquilo que sentimos em função do que foi dito por ele.
Essa a mais firme convicção de Spinoza: o nosso conhecimento
do mundo é tosco, pois não conhecemos o mundo nele mesmo, mas sim na medida
em que ele afeta, impacta nosso corpo, nos permite ter sensações.
4) O conhecimento
enquanto Afetos com o mundo.
O mundo em si, sem sensações, é absolutamente fechado para
nós, ele só será conhecido na medida em que nos produzir sensações, nos
transformar, nos modificar, porque as nossas sensações nada mais são que uma
tradução que fazemos das modificações que o nosso corpo sofre nas relações que
tem com o mundo.
Imaginemos uma pessoa, o que podemos conhecer dela? Apenas e
tão somente aquilo dessa pessoa que nos afetar e nos produzir algum tipo de
sensação, dirá Spinoza, porque não se consegue conhecer essa pessoa nela e por
ela, mas sim na medida em que nos afeta.
O que conhecemos são os afetos que temos através do nosso
corpo, o que sentimos através dele, essa é a única chave que temos para o
contato com o mundo.
Nesse sentido, o nosso corpo é um espelho do mundo, é a
chave que permite saber do que aquele se trata. Assim a nossa cognição
necessariamente é fragmentada, porque em uma situação onde o mundo não nos afete,
então passará longe, ao lado, permanecerá hermético a nós, daí dele ser sempre
unicamente a somatória caótica das nossas afetações.
Assim, se o nosso corpo é um espelho do mundo, na medida em
que o reflete de forma absolutamente contingente, doida, caótica, ao sabor da
loucura dos encontros que tivemos com seu reflexo ao longo de nossa história;
da mesma maneira, o mundo é um espelho do nosso corpo, na medida em que o permite
identificar quem somos a partir das sensações que temos em contato com esse
reflexo.
Precisamos do mundo para saber como o nosso corpo se deixa afetar
por ele. Quando contemplo a Cléo Pires, p. ex., me encho de júbilo, então, para
mim, ela é o espelho. E o que me conta que eu não saberia se não fosse ela? Me
conta que o meu corpo, diante do dela, se enche de júbilo, assim obrigado por
surgir na minha frente e me contar algo que eu jamais saberia se não fosse tu.
O mundo é um espelho, pois conta para nós coisas que não
saberíamos se não fosse ele, e, graças ao mundo, podemos saber que tem alguns mundos
que nos afetam de um jeito e mundos que nos afetam de outros, e assim vamos
conhecendo-nos observando o que acontece quando eles se relacionam conosco.
Assim veja como somos fadados a sofrer, pois só
conhecemos o mundo na medida de nossos afetos, e, só conhecemos a nós na medida
dos afetos do mundo. O meu conhecimento de mim e do mundo é estilhaçado,
fragmentado, pobre, inconfiável, absolutamente sem método, diriam os cientistas
contemporâneos. O que eu sei de mim dependeu, dramaticamente, da loucura e do
improviso dos encontros que eu mantive no mundo, tivesse eu vivido em outro
lugar o entendimento que eu teria tido de mim seria necessariamente outro,
porque outros teriam sidos os espelhos, as informações afetivas que eu teria
tido a meu respeito seriam outras, não seria Cléo Pires, mas uma atriz
ucraniana p. ex.
Naturalmente então, diante dessa perspectiva, fica mais
fácil entender o livre arbítrio e a sua ilusão, não podemos nem mesmo controlar
as causas dos nossos afetos e do nosso pensamento, pois ignoramos as duas
partes da relação da vida: a nós e o mundo. Estamos absolutamente amarrados por
uma limitação que é a nossa, conhecer a nós e ao mundo através do que sentimos.
Não é só isso. Ao viver no mundo somos afetados de forma
complexa, plural, o tempo inteiro por muitos corpos.
O mundo nos transforma de forma complicada, são tantas as
coisas que ao mesmo tempo agem sobre nossos corpos, mas nós, nessa pluralidade
de causas, só temos consciência de uma parcela minúscula, só nos damos conta de
um pequeno pedaço de mundo que nos afeta. Imagine a poltrona, cadeira ou banco
que você esteja sentado agora, pode fazer segundos, minutos ou horas que ela encosta-se
a teu corpo, mas você só percebe isso agora, mas ela continua encostando sempre
assim mesmo, percebendo você ou não.
A consciência que temos dos afetos é irrisória em comparação
à complexidade da nossa relação afetiva com o mundo. Quantos de nós olhamos e
conversamos uns com os outros, quantos de nós nos afetamos nesses encontros, e
o quanto percebemos disso? Não é porque não se percebe nada que não produz
efeito algum, as pessoas se afetam, mas elas não se dão conta, então se faz
vinte, trinta ou quarenta anos que o mundo sufoca alguém, ele não se dá conta
de tudo que o mundo o afeta, daí é normal que tenha chegado à sua idade, o
mundo lhe transformando, e ele não tendo a menor idéia de como não sabe quem é,
e no que o mundo lhe fez para ser assim somente porque ali ou aqui ele percebeu
alguma coisa, em outras palavras, não sei quem sou e vou vivendo sendo afetado,
afetando o mundo, não sei o que acontece com os outros e quase também não sei o
que acontece comigo.
Mas Spinoza acreditava que trazer para consciência esses
afetos é também um afeto, afeta também, trata de um afeto que compreende os
outros afetos, o que é uma coisa extremamente positiva nessa nossa sina de
aprender a viver, a auto-análise dos afetos, falando de forma mais
contemporânea, procurar ser menos grosseiro na hora de se relacionar com o
mundo, conseguir se dar conta das nuances afetivas dos encontros com o mundo.
Quando o mundo nos transforma, o que ele muda em nós? A
resposta de Spinoza é: tudo. A maior certeza de que o mundo muda tudo em nós,
dirá Spinoza, é que a nossa essência sempre estará diferente a cada momento,
por isso ela será sempre atual, a nossa potência de agir oscila nos encontros
com o mundo. Assim afeto é a tradução de que o seu corpo dá para as
oscilações de potência que o mundo lhe impinge, para as transformações que o
mundo determina quando se relaciona com você. Afeto é o que você sente dos
efeitos que o mundo te acarreta, para falar diferente, afeto é a subjetivização
dos efeitos objetivos que o mundo produz sobre seu corpo. Canela na quina da
cama, p. ex., ruptura do osso: encontro objetivo; dor: tradução subjetiva
daquela objetividade em ruptura.
5) Afetos, solidão,
esforço e alegria.
Somos todos solitários, porque naturalmente na medida em que
encontramos o mundo, o fazemos com o corpo que é nosso, daí como a sensação é o
resultado desses encontros e o nosso corpo é particular, não genérico, a sensação
que temos, ao final, será apenas nossa, ninguém sente o que sentimos, mesmo
diante da mesma explicação, mesmo diante do mesmo explanador, da mesma sala de
aula, cada um com sua sensação, na estrita solidão dos afetos.
A solidão é a nossa sina, o isolamento não, podemos nos
reunir em bandos para fazer algo, mas, mesmo no coletivo, somos solitários,
porque não compartilhamos afetos, assim solidariedade é uma ilusão, cada
um com a sua sensação. Mesmo quando damos causa ao afeto do outro ter-se-á uma
sensação estrita dele, nada alegra por definição, nada alegra por princípio.
A alegria se dá no mundo da vida, na particularidade dos
encontros, na virgindade das relações, e é exatamente aí que nos encontramos,
cada um com a sua potência, cada um com a sua essência, cada um se esforçando
para continuar sendo o que é, perseverando no ser.
Daí é claro, se a nossa potência é a nossa essência, se
estamos no mundo, é porque a nossa potência oscila afetada pelo mundo, por isso
a necessidade do esforço, conforme já havia dito, não somos o que somos tranquilamente,
mas sim com dificuldade.
O homem não é homem com sossego, precisa sim se esforçar
para sê-lo, mas se o homem já é homem, porque ele precisa se esforçar para
sê-lo? Afinal se o homem é homem, sendo assim, já estaria bem, nos termos da
lei da inércia. Essa lógica funcionaria se o mundo não tivesse à frente deste
homem, de forma inapelável, inexorável, impondo-se, transformando-lhe e ele
tendo que resistir, afinal o mundo é criativo na hora de ser lesivo,
pitoresco na hora de apequenar, por isso para continuar sendo homem não pode
tratar de ficar descansando, mas tem de resistir ao sabor dos encontros e das
relações, porque a vida é no mundo.
É o desequilíbrio que caracteriza a vida marcada pela
oscilação, trânsito, fluxo permanente. A obsessão humana, resistindo a isso,
trava batalhas por estabilidade, eternidade, cuida do medo da morte em vida, do
fluxo, de deixar de ser, mas todas essas atitudes de nada adiantam, pois
embora seja desejante, tenha força e potência, contra ela há um mundo que poderá
agredir sempre com contundência superior à sua capacidade de resistência.
Morte inexorável, à contramão de nossos mais genuínos
anseios, é inapelável porque a natureza sempre tem uma força superior à nossa,
resistiremos para perseverar no ser, essa conduta pemenece certo tempo, depois
a resistência acaba e aí o ser vira outro, com nova força e nova resistência, e
isso é só o que estamos fazendo, lutando para perseverar no ser, numa aventura
de derrota certa e segura, para constatar essa assertiva basta fazer um passeio
pelos cemitérios ou hospitais da cidade.
Mas sabemos que a vida não é só isso, a gestão da desgraça,
é quase só isso, porque a nossa potência de agir não cuida somente de queda,
certamente não podemos imaginá-la como um tobogã inapelavelmente descendente,
não. Falo isso porque as relações com o mundo são tão complexas que elas
conseguem também reforçar, ou, sendo mais contemporâneo, empoderar, dar potência,
reforçar, dar força, aumentar a capacidade de resistir, até isso acontece na
vida, ganho de potência de agir. Assim fundamentalmente vamos vivendo, haverão
mundos que comporão bem conosco e aperfeiçoando-nos, outros que comporão mal,
ou, se preferir, mundos que nos decompõe e nos imperfeiçoam, nos apequenam,
eliminam a nossa resistência de perseverança no ser, assim a potencia de agir
oscila nos encontros com o mundo.
Naturalmente, quando o mundo compõe bem conosco e a nossa
potencia de agir se eleva, sentimos essa subida de potência de agir, e essa
sensação, esse afeto, essa tradução da subida objetiva da potência de agir
receberá o nome de alegria, passagem para um estado mais potente,
perfeito do próprio ser. Porque perfeito? Porque, para Spinoza, a perfeição
não está em verdades eternas, absolutas, supra-sensíveis, mas está na potência
de agir.
Se o homem é a potência do homem para continuar sendo assim,
ele estará mais perto da perfeição quanto maior for a sua potência para
resistir contra tudo aquilo que tenda a negar a sua existência. Mais do
homem no homem, isto é alegria do homem, porque cada alegria é uma, cada
instante alegre é um, e mais do homem no homem é o reforço de sua vida, é o
seu aperfeiçoamento existencial, nos aperfeiçoamos quando nos alegramos, nos
alegramos quando temos mais de nós em nós, porque a potência é a essência,
mais do homem no homem graças ao mundo, isso não é um trabalho de sigo
consigo, mas se faz na vida, e sendo na vida, ocorrerá nas relações, nos
encontros, na trajetória, no afetar e ser afetado, por isso que alegria é afeto,
portanto, não poderá prescindir dos corpos que conosco se relacionam no
instante em que nos alegramos.
Não há vida interior que possa prescindir de toda a
exterioridade da relação de nossos corpos com o mundo, não há beleza interior,
endoscópica, que possa abstrair-se de tudo aquilo que o mundo faz com o nosso
corpo a cada segundo, eis aí a firme convicção de Spinoza.
Alegria é a passagem para um estado mais potente e perfeito
do próprio ser.
É claro que a tristeza é o seu contrário simetricamente,
tristeza é decomposição, é perda de potência, de essência, força, energia,
menos do homem no homem para resistir. Há mundos que alegram, outros que
entristecem.
O que é irritante nesses arautos da simplificação da vida é
que eles fazem acreditar que, no final, tudo depende só de você, e
entristecendo-se a culpa é sua, pois somos vítimas de uma cultura da culpa,
miserável herança platônica, vulgarizada por uma centena de profetas que nos
fizeram acreditar que tudo de ruim que acontece em nós é culpa nossa, nessa
concepção seríamos nós que não quisemos direito.
Então perceba-se que, no final das contas, a filosofia de
Spinoza que nos coloca no mundo, pois o vento venta e a maré mareia, se o vento
não ventasse a maré não marearia, mas como o vento venta a maré mareia, assim
um depende do outro, agora imagine se o vento fosse filho de deus, como nós
somos, e ele não quisesse ventar, reivindicando sua liberdade, controlando a si
mesmo, e a maré que se dane, se quisesse marear que se virasse, essa situação
pode até parecer hilária com o vento e com a maré, mas com o homem ele vai se
achar filho de deus sem se olhar no espelho, assim não nos devemos tornar
superior a nada, o vento venta, o gorila
gorileia, e o homem é o que é.
Diferentemente dos livros motivacionais de auto-ajuda que
ensinam a iludir a própria vida, nessa filosofia busca-se estudar as coisas
como elas são, e o que se ganha com isso? A possibilidade de, pelo menos, se
dar conta do porque se sofre tanto. Então tivemos a oportunidade maiúscula de
chegar aos dois primeiros afetos raiz do Spinozismo, alegria e tristeza. O que
é interessante é que a alegria e tristeza não se tratam de afetos
episódicos, nem são estados para dizer “estou alegre”, mas tratam de passagens.
Enquanto não entender que o mundo está em relação, e estando assim está em
transformação, daí só pode ser passagens. É nesse momento que os estados darão
lugar a afetos, tipos de transformação, e daí pode-se dizer “fui afetado de
alegria”, pois se relacionou bem com o corpo que compôs bem com o mundo e
determinou em nós a passagem para um estado mais potente e perfeito do nosso
próprio ser.
Essa alegria é uma passagem, mas não se pode viver assim,
alegre e triste, ao sabor da imprevisibilidade absoluta, é necessário haver
referências que o protegem, expectativa de alguma certeza de durabilidade dos
afetos, precisa-se criar um orbital de alegrias prováveis, que é um espaço de
possibilidades onde a alegria pode estar, seja em uma aula, em um lugar em uma circunstância,
é normal que se faça isso. De certa maneira a nossa experiência nos permite uma
certa memória daquilo que nos alegrou e nos entristeceu, e com base nesse acervo,
podemos forçar encontros alegres e fugir de encontros tristes, agora acreditar
que sempre essa matemática possa dar
certo é uma bobagem, pois se pode alegrar com algo, e esperar que mais disso
vai alegrar-te também, até ocorrer um enjôo, dessa experiência percebe que as
experiências passadas são tudo que se tem, mas elas não dão conta da virgindade
do ineditismo do instante da vida, quer saber, melhor assim, como seria chato
se a gente aos vinte anos descobrisse todos os segredos da vida e depois só
aplicássemos fórmulas até morrer, seria de uma bestialidade digna de um autor
de auto-ajuda. Felizmente não funciona assim, encontros inéditos, virginais e
irrepetíveis fazem com que toda fórmula esteja caduca no instante mesmo em que
a alegria foi substituída por uma tristeza e esta substituída por outra alegria.
Fórmulas caducas, o que nós empregamos é a experiência, que
se trata de coisa de gente velha, ser experiente é possuir um monte de formulas
caducas, chaves para portas que não existem mais, para fechaduras já trocadas,
sempre renovadas por um corpo sempre inédito, encontrando um mundo que também
nunca encontrou antes, e é por isso que nessa radical necessidade de improvisar,
diante de uma vida sempre nova, que tudo aquilo que utilizarmos, como já sabido,
pode até ajudar, afinal é tudo que temos, mas nada nos garantirá, por isso a
tristeza continuará fazendo parte da vida, por isso o mundo continuará
agredindo, e, saber disso certamente nos prepara melhor do que ter a ilusão de
uma felicidade eterna como resultado de uma simples fórmula qualquer.
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