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A Concepção do Sujeito Automático em Marx e na Nova Crítica do Valor

Tanto em Marx quanto na Nova Crítica do Valor, o termo "sujeito automático" se refere à tendência do valor de se valorizar autonomamente sob o capitalismo. No entanto, há nuances importantes nas interpretações de cada corrente de pensamento:


Em Marx:

O sujeito automático emerge da lei do valor, que dita que o valor de uma mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho socialmente necessário para sua produção.

Essa lei impulsiona os capitalistas a buscarem incessantemente a mais-valia, explorando o trabalho dos trabalhadores.

O sujeito automático se manifesta como uma força social autônoma que subjuga os indivíduos e aliena suas relações sociais.

Marx o critica como uma ilusão fetichista que obscurece as relações de exploração no capitalismo.


Na Nova Crítica do Valor:

O sujeito automático é visto como a personificação do valor em si mesmo.

Ele se constitui através da forma-valor, que se expressa na mercadoria e no dinheiro.

A forma-valor opera como um sujeito transcendental que domina a sociedade capitalista.

A Nova Crítica do Valor enfatiza a natureza abstrata e irracional do sujeito automático.

Essa corrente defende a necessidade de abolir a forma-valor para superar o capitalismo.


Comparação:

Aspecto} Em Marx} Na Nova Crítica do Valor

Natureza} Força social} Sujeito transcendental

Origem} Lei do valor} Forma-valor

Manifestação} Exploração do trabalho} Mercadoria e dinheiro

Crítica} Ilusão fetichista} Natureza abstrata e irracional

Solução} Revolução socialista} Abolição da forma-valor


Pontos em comum:

Ambos reconhecem o sujeito automático como uma consequência do modo de produção capitalista.

Ambos o criticam como uma ameaça à autonomia e à liberdade dos indivíduos.

Ambos defendem a necessidade de transformação social para superá-lo.


Diferenças:

Marx se concentra na exploração do trabalho como base do sujeito automático.

A Nova Crítica do Valor enfatiza a natureza abstrata e irracional da forma-valor.

Marx propõe a revolução socialista como solução, enquanto a Nova Crítica do Valor defende a abolição da forma-valor.


Conclusão:

As concepções de Marx e da Nova Crítica do Valor sobre o sujeito automático oferecem lentes valiosas para compreender as dinâmicas do capitalismo e as lutas pela emancipação humana. Ao analisar as nuances de cada interpretação, podemos aprofundar nossa compreensão das contradições inerentes ao sistema capitalista e buscar alternativas para uma sociedade mais justa e livre.

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A Nova Crítica do Valor (NCV) propõe um conjunto de estratégias interligadas para abolir a forma-valor e superar o capitalismo:


1. Ruptura com a lógica da mercadoria:

Desmercantilizar: Subtrair bens e serviços da lógica do mercado, direcionando-os para a necessidade e o uso social, como saúde, educação, habitação e transporte.

Desmonetarizar: Reduzir a centralidade do dinheiro na organização social, explorando alternativas como sistemas de troca baseados em tempo, energia ou outros indicadores não monetários.

Descoisificar: Reconhecer o valor das relações humanas e do trabalho vivo, indo além da lógica quantitativa e da reificação das relações sociais sob a forma de mercadorias.


2. Ataque à forma do valor:

Combate à abstração do trabalho: Valorizar o trabalho concreto em suas diversas formas e contextos, reconhecendo a multiplicidade de saberes e atividades que contribuem para a sociedade.

Crítica à homogeneização: Desafiar a padronização e a comparabilidade forçada das mercadorias, reconhecendo a riqueza da diversidade e da produção local.

Desfetichização da mercadoria: Desvendar a mistificação do valor sob a forma de mercadoria, revelando as relações de exploração e alienação que a sustentam.


3. Transformação das relações sociais:

Autogestão: Promover a gestão democrática e horizontal das atividades produtivas e sociais, substituindo a lógica hierárquica e autoritária do capitalismo.

Cooperação: Incentivar a colaboração e o trabalho solidário entre indivíduos e comunidades, superando a lógica da competição e do individualismo.

Planejamento democrático: Estabelecer mecanismos de planejamento participativo e transparente para a produção e distribuição de bens e serviços, atendendo às necessidades da sociedade de forma sustentável.


4. Luta contra o Estado e o capital:

Anticapitalismo: Enfrentar o poder das grandes corporações e do sistema financeiro que perpetuam a exploração e a desigualdade.

Socialismo: Construir uma sociedade baseada na justiça social, na propriedade social dos meios de produção e na distribuição equitativa da riqueza.

Revolução: Transformar as estruturas de poder e as relações sociais de forma radical, abrindo caminho para uma nova forma de organização social.


5. Subjetividade e consciência:

Desenvolvimento da consciência de classe: Promover a compreensão crítica das relações de exploração e alienação no capitalismo, conscientizando os indivíduos sobre sua posição na sociedade.

Emancipação humana: Lutar pela libertação dos indivíduos das amarras do trabalho alienado e da lógica do consumo, promovendo a autonomia, a criatividade e o desenvolvimento pleno das potencialidades humanas.

Construção de um novo sujeito social: Formar um sujeito social coletivo capaz de questionar, resistir e transformar a realidade capitalista, construindo uma nova ordem social baseada na solidariedade, na justiça e na liberdade.


Observações:

A abolição da forma-valor e a superação do capitalismo são processos complexos e multifacetados que exigem lutas sociais, transformações culturais e mudanças profundas nas estruturas de poder.

As estratégias propostas pela NCV são apenas um ponto de partida para a reflexão e o debate sobre as alternativas ao capitalismo.

É fundamental considerar as especificidades de cada contexto histórico e social na construção de estratégias concretas para a transformação social.


Referências:

Marx, Karl. O Capital: Crítica da Economia Política. Vol. 1. São Paulo: Editora Boitempo, 2013.

Wertkritik. https://de.wikipedia.org/wiki/Wertkritik.

Jappe, Anselm. Capitalismo e o "Sujeito Automático": Uma Análise da Nova Crítica do Valor. São Paulo: Editora Elefante, 2018.

Ludenhoff, Karel. "Acepção do Termo Sujeito Automático em Marx e na Nova Crítica do Valor." IMHO Journal 10, no. 2 (2020): 127-142.

Wertkritik. https://de.wikipedia.org/wiki/Wertkritik.

Jappe, Anselm. Capitalismo e o "Sujeito Automático": Uma Análise da Nova Crítica do Valor. São Paulo: Editora Elefante, 2018.

Kurz, Robert. Critique of Value: Fetish, Abstraction and Crisis in Capitalism. London: Zero Books, 2017.

Artigos:

Ludenhoff, Karel. "Acepção do Termo Sujeito Automático em Marx e na Nova Crítica do Valor." IMHO Journal 10, no. 2 (2020): 127-142.

Coriat, Benjamin. "Value Form and the Global Crisis: A View from the New Value Critique." Monthly Review 69, no. 1 (2018): 36-52.

Negri, Antonio. "

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