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A Crítica de Isak Rubin à Teoria Marginalista do Valor Subjetivo

 Isaak Illich Rubin, em sua obra “A Teoria Marxista do Valor”, oferece uma interpretação crucial da teoria marxista, contribuindo significativamente para esclarecer aspectos polêmicos. Vamos explorar alguns pontos-chave:


Fetichismo da Mercadoria:

Rubin considera o fetichismo da mercadoria como a base de todo o sistema econômico de Marx. Ele não o vê apenas como um apêndice da teoria do valor, mas como fundamental para entender as relações sociais de produção na economia mercantil capitalista. Nesse contexto, as pessoas se relacionam não como indivíduos, mas como proprietários de coisas, produtos do trabalho.

O fetichismo da mercadoria encobre tanto as relações humanas quanto as relações sociais de produção, que inevitavelmente assumem a forma de coisas.


Teoria do Valor:

Rubin distingue dois aspectos fundamentais:

Forma do Valor: Expressa o trabalho abstrato e pressupõe relações sociais de produção entre produtores mercantis independentes.

Distribuição do Trabalho Social: Aborda a magnitude do valor, determinada pela quantidade de trabalho abstrato e pela produtividade do trabalho.

Para compreender o valor, devemos considerá-lo em três aspectos: magnitude, forma e substância (ou conteúdo). O valor é:

-Regulador da distribuição quantitativa do trabalho social (magnitude do valor): O valor atua como um mecanismo regulador da quantidade de trabalho social dedicado à produção de diferentes bens e serviços. Através da lei do valor, os preços de mercado, reflexos do valor, orientam os produtores na alocação de seus recursos. Exemplo: Se o preço de um tomate sobe, sinaliza aos produtores que há uma demanda social maior por tomates, incentivando-os a dedicar mais trabalho social à sua produção.

-Expressão das relações de produção entre pessoas (forma do valor): O valor não apenas reflete a quantidade de trabalho, mas também as relações sociais em que este é realizado. Na sociedade capitalista, o valor assume a forma-mercadoria, onde o trabalho se torna mercantilizado, expresso em unidades monetárias. Exemplo: O valor de um par de sapatos não se limita ao trabalho individual do sapateiro, mas também incorpora as relações de produção capitalistas, como a exploração da força de trabalho e a apropriação da mais-valia.

-Expressão do trabalho abstrato (conteúdo do valor): O valor, em sua essência, representa o trabalho abstrato, a quantidade média de trabalho socialmente necessário para produzir um bem ou serviço, independentemente das habilidades ou características individuais do trabalhador. Exemplo: Um operário têxtil e um programador de software, embora realizem trabalhos distintos, contribuem com trabalho abstrato equivalente na produção de seus respectivos bens.


Interconexão dos Três Aspectos:

- Magnitude: A quantidade de trabalho social necessária para a produção de um bem determina sua magnitude de valor.

- Forma: A forma-mercadoria do valor reflete as relações sociais de produção em que o trabalho é realizado.

- Conteúdo: O trabalho abstrato é a substância que dá origem ao valor, independentemente da forma que ele assume.


Críticas aos Economistas Vulgares:

Rubin critica os chamados economistas vulgares, que consideram as características sociais aderidas às coisas (valor, dinheiro, capital etc.) como naturais. Ele enfatiza que essas características são expressões das relações de produção entre pessoas, não características intrínsecas das coisas.


Valor e Preço de Produção:

Rubin responde às críticas sobre incoerências lógicas entre a teoria do valor-trabalho e a teoria do preço de produção. Ele argumenta que a teoria do valor-trabalho é um fundamento necessário para a teoria do preço de produção, que é mais complexa.


Pontos centrais da crítica de Rubin:

Subjetividade e incomensurabilidade: Rubin argumenta que a teoria marginalista falha em explicar como valores subjetivos individuais se convergem em preços de mercado objetivos. A alegação de que a utilidade marginal determina o valor é vista como circular e tautológica, incapaz de explicar como diferentes unidades de medida de valor (por exemplo, tempo, trabalho, dinheiro) podem ser comparadas.

Desconsideração das relações de produção: A teoria marginalista, segundo Rubin, ignora as relações sociais de produção que determinam a oferta e a demanda de bens. Ele argumenta que o valor de um bem não é simplesmente determinado pela utilidade marginal para um indivíduo, mas sim pelas relações de poder e exploração no sistema capitalista.

Negação da exploração: A teoria marginalista, ao defender a ideia de que os preços refletem o valor subjetivo dos bens, mascara a exploração inerente ao sistema capitalista. Rubin argumenta que os trabalhadores recebem apenas uma fração do valor que criam, com o restante sendo apropriado pelos capitalistas através da exploração da força de trabalho.


Alternativa proposta por Rubin:

Rubin propõe uma teoria alternativa do valor baseada no valor-trabalho. Segundo essa teoria, o valor de um bem é determinado pela quantidade de trabalho socialmente necessário para produzi-lo. Essa abordagem leva em consideração as relações sociais de produção e a exploração da força de trabalho, oferecendo uma explicação mais completa do valor.

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