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Anotações sobre o totalitarismo liberal

O "totalitarismo liberal" é um conceito paradoxal que sugere a presença de características totalitárias em sistemas políticos que se autodenominam liberais. Geralmente se refere a governos que mantêm um sistema democrático de fachada, mas exercem um controle autoritário sobre a sociedade e restringem as liberdades individuais de maneira sutil ou disfarçada. Exemplos podem incluir regimes que usam vigilância em massa, propaganda intensiva ou manipulação da mídia para manter o poder, enquanto ainda mantêm eleições formais. Esse fenômeno desafia a concepção tradicional de liberdade e democracia, pois mostra como esses ideais podem ser manipulados para justificar a opressão.

O Otanistão, uma entidade geopolítica que abarca a América do Norte, a Europa Ocidental e a Europa Oriental, é um conglomerado amalgamado nesse cenário de um "Robocop" com aspirações universalistas. Este panorama atual reflete o colapso iminente de um sistema complexo que se desenvolveu após o término da Segunda Guerra Mundial, um período que ofereceu um festim de poder para a hegemonia dominante e seus subordinados, agora em desintegração completa.

Nesse contexto, enquanto indivíduos trabalham em Tecnologia da Informação, deparam-se com a tela impiedosa exibindo mensagens de "error", sinalizando o colapso do sistema em que estão imersos. No entanto, paradoxalmente, esse sistema em falha persiste como uma estrutura fechada. A descrição mais precisa para essa estrutura é o "totalitarismo liberal", onde uma ínfima elite de 0.001%, uma plutocracia, exerce controle absoluto.

O liberalismo é a ideologia e a estrutura social controlada pelo 0.001%, uma plutocracia. A plutocracia é capaz de operar esse totalitarismo liberal com perfeição, pois detém controle absoluto sobre ele. Em termos geoeconômicos, esse controle se articula através do fenômeno da dívida, que não apenas envolve o poder hegemônico, mas também afeta praticamente todos os principais países do Ocidente.

A dívida em si cria um ciclo vicioso, um loop que se alimenta continuamente. Esse 0.001% que controla o sistema exibe uma psicologia extremamente poderosa, com raízes principalmente americanas e alguns acréscimos atlânticos. O mecanismo desse loop da dívida é considerado criminalmente antissocial, caracterizando-se como um fenômeno psicopatológico. Para a plutocracia, o único aspecto relevante é a perpetuação desse mecanismo em si, que continua operando por inércia desde 1945 e foi intensificado com o triunfo do neoliberalismo há aproximadamente três décadas.

O neoliberalismo, com o fim da União Soviética e o subsequente triunfo absoluto nos anos 90, impulsionou ainda mais esse mecanismo, adotando um perfil transnacional e global. Anteriormente conhecido como soft power, essa versão mais branda de globalização tornou-se praticamente onipresente.

Tudo isso se articula em torno de mitos, como o mito financeiro transnacional que retrata esse sistema como estável. Esse mito sugere que o sistema é sustentável porque, supostamente, a plutocracia do 0.001% controla tudo. Eles utilizam uma carta política institucional, onde vários vassalos políticos e instituições continuam a perpetuar e a trabalhar para o sistema, sendo recompensados diretamente pela plutocracia. Essa narrativa sustenta a ilusão de estabilidade e controle, apesar da realidade de desigualdade e opressão subjacente.

E então, entram em cena desde a liderança da União Europeia até a liderança da Comissão Europeia, abrangendo todo o sistema de Bruxelas. Além disso, o complexo industrial militar, as lideranças americanas e os silos de liderança nos Estados Unidos desempenham papéis-chave nesse controle. Um terceiro elemento nesse cenário é o que anteriormente era chamado de inteligência, referindo-se aos anos 60 e 70, mas que hoje se manifesta principalmente como os vassalos bem pagos da mídia e do complexo mediático global.

Esse complexo mediático global inclui grandes conglomerados e oligarcas em cada país, que controlam a maior parte dos meios de comunicação. No Brasil, na França, na Inglaterra, na Itália e em outros lugares, é fácil identificar quem detém esse poder. Esse processo pode ser descrito como uma hipermediação da realidade, onde todos somos condicionados pela plutocracia que controla o sistema.

Essa hipermediação atinge um nível extremo, incluindo as redes sociais, resultando no que chamamos de hiperrealismo. Nesse contexto, todos nós somos compelidos a viver sob a influência dessa plutocracia. Os bastões nessa corrida são passados, especialmente, pelos nós mediáticos e pelo complexo mediático ligado à plutocracia. Assim, o mecanismo em si continua a se desenvolver por inércia, dentro de um espectro que pode ser descrito como a normalidade totalitária.

Estamos todos imersos nessa normalidade totalitária, e escapar dela é extremamente difícil. A sensação de impotência é palpável em diversas latitudes, conforme nos confrontamos com a magnitude do controle exercido por essa estrutura de poder.

Boa parte de Paris é desfrutada exclusivamente pelos representantes do 0.001%, que habitam a cidade e aproveitam seus melhores aspectos, os quais são absolutamente inacessíveis para a vasta maioria da população francesa. Este cenário destaca como o estado de exceção institucionalizado beneficia apenas uma pequena elite, aproveitando-se da situação para lembrar o conceito de "Estado de Exceção" teorizado por Giorgio Agamben, um renomado intelectual italiano e europeu.

Agamben tem investigado o Estado de Exceção há décadas, especialmente na Itália, onde ressoa a herança da "velha guarda" intelectual. Nesse contexto, observa-se uma excitação tecnológica-militar dentro do complexo industrial militar, inclusive no âmbito atlântico, com uma ligação direta e literalmente direcionada ao setor financeiro, que é hiperinflacionário.

Essa ligação estreita entre o complexo industrial militar e o setor financeiro é emblemática do privilégio e do poder desproporcional que a elite detém sobre os recursos e as oportunidades. Enquanto isso, a maioria da população fica à margem, incapaz de desfrutar dos mesmos benefícios e oportunidades, evidenciando as disparidades e injustiças fundamentais presentes na sociedade.

A ligação direta entre a produção de armas, impulsionada no Ocidente como uma espécie de "revitalização da economia", pode ser vista como uma tentativa de manter o sistema hiperinflacionário funcionando, pelo menos superficialmente. Nesse sentido, a guerra é encarada como um bom negócio, e essa mentalidade está diretamente ligada à excitação em torno da inteligência artificial.

Observa-se uma valorização quase perene das empresas de tecnologia, conhecidas como as "sete magníficas": Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Microsoft, NVIDIA e Tesla. Entre essas empresas, duas estão relativamente bem protegidas no momento, enquanto as outras enfrentam diversas possibilidades de declínio, especialmente a NVIDIA e a Tesla, que enfrentam problemas sérios.

Essas dinâmicas refletem a influência do 0.001% da plutocracia sobre o sistema geoeconômico, que opera como um cassino. A euforia em torno da tecnologia militar se mescla com a euforia do mercado financeiro, criando um desequilíbrio perigoso. A ligação entre o complexo industrial militar e o setor financeiro representa uma ameaça significativa, consolidando ainda mais o poder nas mãos de uma elite privilegiada.

No meio de toda essa complexidade, surge a pergunta inevitável: qual é a agenda do poder hegemônico? É algo que qualquer cidadão, em qualquer lugar do mundo, pode se perguntar. Mas então, o que é esse "império"? Isso depende do silo que controla o império ou que opera dentro dele. Basicamente, estamos falando do poder econômico, que é o principal influenciador do complexo industrial militar e da economia global.

A agenda desse império é moldada pelo poder econômico, que busca manter e expandir sua influência, muitas vezes às custas da maioria da população mundial. Esse poder busca perpetuar um sistema que beneficia apenas uma pequena elite, enquanto explora recursos, mão de obra e mercados em todo o mundo. Essa agenda é impulsionada pelo desejo de acumular ainda mais riqueza e poder, alimentando a máquina do complexo industrial militar e moldando as políticas globais de acordo com seus interesses.

Portanto, a agenda do poder hegemônico é essencialmente uma busca incessante por mais controle, mais lucro e mais poder, à custa do bem-estar e da prosperidade da maioria das pessoas. É uma dinâmica que perpetua a desigualdade e a injustiça em escala global, deixando muitos se perguntando quem realmente se beneficia desse sistema e quem fica para trás.

Por exemplo, os gigantes do complexo industrial militar são os que controlam esse sistema. Esse erro do sistema continua persistindo por inércia dessa plutocracia, que entende que manter a hegemonia militar está intimamente ligado à manutenção da hegemonia financeira. Isso significa proteger o dólar e a enorme massa de dívida americana denominada em dólares, assim como a dívida europeia, que também está fortemente ligada ao dólar. Essa proteção do dólar visa evitar os potencialmente hiper desestabilizadores efeitos que ocorreriam se esse sistema entrasse em colapso.

Portanto, há uma ligação direta entre o militarismo do império e de seus vassalos, seja de forma direta, como no caso da Ucrânia ou de Gaza, ou de forma retórica, como no caso dos europeus e sua russofobia extremamente irracional. Essa interligação entre interesses militares e financeiros revela como a manutenção da supremacia do sistema global é uma prioridade para a plutocracia, mesmo que isso signifique perpetuar conflitos e tensões em todo o mundo.

Esse círculo intercalado revela como o controle está concentrado nas mãos de muito poucos, que estão constantemente em comunicação entre si. Apesar de terem diversas agendas específicas, alguns podem preferir uma guerra direta e quente, enquanto a maioria opta por conflitos híbridos localizados.

O desespero aumenta porque esses conflitos não se limitam apenas a disputas híbridas e deslocalizadas contra a Rússia, China, Irã e os BRICS, mas também porque agora eles precisam organizar uma agenda para uma guerra praticamente total em um mundo multipolar. Esse mundo multipolar aglutina os três principais atores - Rússia, China e Irã - além dos BRICS e outros países que se unem, como os que serão adicionados na cúpula de Casan em outubro deste ano.

Essa guerra é dirigida contra os poucos países que buscam entrar nos BRICS e contra os eixos de resistência. O eixo de resistência do Oeste da Ásia também entra nessa equação, mostrando como os conflitos se estendem por diferentes regiões e envolvem uma variedade de atores e interesses. O eixo da resistência no Oriente Médio, como no Irã, Iêmen, e milícias no Iraque, entre outros. Além disso, há o eixo da resistência nas terras eslavas, que se manifesta nos batalhões cristãos ortodoxos no Donbas, e o eixo da resistência na África, que talvez tenha um potencial mais extraordinário para o futuro.

O eixo da resistência na África é particularmente interessante, pois vemos não apenas um eixo prático se formando, mas também uma imbricação a curto e médio prazo com os BRICS na África. Há uma conexão entre os novos BRICS na África e os aspirantes a BRICS na África, como Argélia e Nigéria, que podem entrar na cúpula de outubro.

Por exemplo, o Sahel já constitui um eixo de resistência na prática, inclusive estabelecendo uma instituição chamada Aliança dos Estados do Sahel. Este eixo, que conta com Burkina Faso, Mali e Níger, em breve terá certamente a presença do Senegal, que recentemente entrou no eixo de resistência do Oeste da África contra o colonialismo francês.

Essa dinâmica abre possibilidades de integração dentro da África, tanto entre esse eixo da resistência quanto entre os futuros BRICS africanos. Quando o 0.001% e quem controla o erro do sistema olham ao redor, percebem que resta basicamente uma Europa Ocidental completamente vassalizada, pelo menos atualmente. Todas as capitais europeias estão subordinadas aos ditames de Bruxelas, que por sua vez são ditames de Washington.

Além disso, há erupções fora do Otanistão, como o pacto entre Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul, todos ocupados pelo poder americano anti-China. Há também o sistema AUKUS, composto por Austrália, Reino Unido e Estados Unidos, também anti-China, mas que por enquanto parece estar estagnado.

Evidentemente, temos o porta-aviões genocida no Oeste da Ásia, que agora não só mata mulheres, crianças, cirurgiões, anciãos, etc., mas também destrói universidades, escolas, hospitais e até mesmo especialistas em Tecnologia de Informação. Eles estão sistematicamente atacando e matando todos os principais especialistas em Tecnologia de Informação em Gaza. Este é o braço armado do império no Oeste da Ásia, ao mesmo tempo que controla o império em Washington através de suas ramificações dentro do 0.001%.

Podemos resumir toda essa história como o modelo do capitalismo no século XXI. O modelo capitalista atual é caracterizado por tomar dinheiro emprestado para promover guerras híbridas e, eventualmente, conflitos quentes contra uma insurreição praticamente planetária. Essa é a essência do capitalismo em sua fase definitiva.

Se considerarmos que o imperialismo é uma fase definitiva do capitalismo, o atual imperialismo baseado em dívida, sem regras e utilizando um cenário geoeconômico para desestabilizar e impor o que pode ser chamado literalmente de um "império do Caos" em todo o planeta, é o sistema que estamos vivenciando hoje. Não poderia ser mais catastrófico e niilista.

A realidade em que todos nós vivemos hoje é essa realidade niilista, expressa justamente pela plutocracia que controla o show e os lucros do capitalismo de cassino em que estamos imersos. Essa plutocracia depende essencialmente do barbarismo indiscriminado. É como o uroboros, a cobra mordendo o próprio rabo. Não há mais regras, apenas o caos absoluto instaurado pelos que detêm o poder.

Nesse mundo, onde uma organização internacional baseada em regras é constantemente proclamada, na realidade, são esses mesmos detentores do poder que destroem as regras. Eles fazem as regras porque sabem que não haverá consequências para eles. Jogar uma bomba nesses indivíduos não é uma contrapartida viável, pois infelizmente não acontecerá, apesar de ser o desejo da maioria global, como observado pelo embaixador Serguei Lavrov.

Portanto, cabe a cada um de nós uma luta cotidiana para facilitar o fim dessa desordem mundial baseada em nenhuma regra, que, por enquanto, continua a escravizar o planeta inteiro.

Para fechar, uma formulação muito simples que todos vocês, que assistiram O Poderoso Chefão 1, 2, 3, e outros thrillers e filmes de gangster como Sopranos, sabem muito bem: as instituições internacionais que supostamente preconizam nossos valores hoje são apenas assassinos psicóticos pagos pelo grande capital para manter este sistema fechado e nos subjugando até o fim dos tempos.



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